CEO da Polestar quer conquistar clientes Tesla insatisfeitos

O CEO da Polestar, Michael Lohsceller, criticou as posições políticas de Elon Musk e admite ver nelas uma oportunidade para atrair clientes descontentes com o líder da Tesla.

Em agosto de 2024, a Polestar nomeou Michael Lohscheller como novo CEO da marca criada pela Volvo e pela Geely.

Desde que foi fundada em 2017, a Polestar tem passado os últimos anos a tentar estabelecer-se, falhando vários objetivos de vendas pelo caminho. Mas agora Lohscheller tem um novo plano: conquistar os clientes da Tesla insatisfeitos com as polémicas despoletadas por Elon Musk.

O CEO da Tesla tem estado no centro de querelas diversas, todas devido às suas declarações e ações. E Lohscheller acredita que isso pode vir a favorecer a Polestar.

O que está em causa?

Musk tem polarizado o ambiente entre os consumidores da marca de Palo Alto ao ser o centro de diversas disputas recentes.

Além do apoio prestado ao novo presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, o CEO da empresa norte-americana apoiou publicamente o partido de extrema-direita alemão AfD, além de ter feito comentários pouco abonatórios, tanto para o panorama político do Reino Unido, como para o primeiro ministro trabalhista, Keir Starmer.

Em declarações à Bloomberg News, Lohscheller acredita que todas estas controvérsias podem favorecer a sua empresa, afirmando “recebemos muitas pessoas a escrever que não gostam de tudo isto”. “É importante ouvir com atenção o que dizem e posso dizer-vos que muitas pessoas têm sentimentos muito, muito negativos”, diz o CEO da Polestar.

Embora reconheça os seus feitos notáveis com a Tesla, Loscheller criticou as posições políticas de Musk e admitiu orientar a sua equipa de vendas para atrair clientes da marca norte-americana que desejem distanciar-se das controvérsias associadas ao magnata sul-africano.

De resto, clientes é o que a Polestar mais precisa. Segundo a publicação Carscoops, a construtora está a gastar cerca de 110 milhões de dólares por mês e a sobreviver, em parte, graças aos quase mil milhões obtidos através de financiamento bancário.

No entanto, para dar a volta à situação, será necessário introduzir novos modelos, reduzir custos e, no melhor dos cenários, ganhar quota de mercado. Objectivos que, olhando para o passado recente, não se afiguram de realização fácil.