Menos na Europa. Vendas de elétricos sobem em todo o mundo

A retirada de incentivos à aquisição de veículos eletrificados em alguns países europeus esteve na origem de uma quebra nas vendas deste tipo de viaturas no Velho Continente, contrariando a tendência mundial de forte crescimento. Boa parte do aumento nas vendas deveu-se à China.

As vendas mundiais de veículos elétricos a bateria (BEV) e híbridos com bateria recarregável externamente (PHEV) registaram um forte crescimento em 2024, ultrapassando as 17 milhões de unidades, o que constitui uma variação positiva de 25,6% face ao ano anterior.

O mês de dezembro bateu um novo recorde, com as vendas a chegarem às 1,9 milhões de unidades. Mas nem tudo foi um mar de rosas, já que o fim dos subsídios à aquisição de veículos elétricos teve um efeito devastador nas vendas. O mesmo poderá suceder nos Estados Unidos se o novo presidente Donald Trump cumprir o que prometeu e acabar com incentivos semelhantes naquele país.

Segundo os dados divulgados pela consultora Rho Motion foram vendidos 17,1 milhões de veículos BEV e PHEV em todo o mundo. Grande parte deste crescimento deve-se à China, onde este tipo de viaturas continua a ter uma forte adesão. Na verdade, desse total global, a China ficou com a parte de leão das vendas, cerca de 11 milhões, o que representou um crescimento de 40% face ao ano anterior.

China em alta

As vendas de veículos híbridos plug-in registou um forte crescimento de 81% na China, enquanto nos elétricos a bateria foi de 19%. Os veículos elétricos em extensor de autonomia estão a ganhar popularidade, graças à sua maior conveniência.

Na América do Norte, as vendas de eletrificados registaram um subida de 8,8%, tendo atingido as 1,8 milhões de unidades. Dezembro foi um mês forte, com 185 mil veículos entregues nos Estados Unidos e Canadá, o que constituiu novo recorde mensal.

Menos favorável foi a evolução na União Europeia, EFTA e Reino Unido, com as vendas de veículos elétricos a recuarem 3%. Para este resultado contribuiu decisivamente a Alemanha devido ao fim dos incentivos à aquisição e isso teve reflexo no desempenho da região.

Sinal positivo foi dado pelo Reino Unido com um crescimento das vendas de elétricos de 20%, o que se deveu em parte à introdução de zonas de emissões zero. Contudo, isso foi insuficiente para alterar a tendência na região.

No resto do mundo foram comercializados1,3 milhões de veículos eletrificados, o que representou um aumento de 27%.

Futuro incerto

De acordo com a consultora Rho Motion, o mercado de veículos elétricos dos Estados Unidos vai ser testado em 2025, se o novo presidente acabar com o crédito fiscal de 7500 dólares na aquisição de um veículo elétrico e se aliviar os limites da norma de emissões EPA.

“É evidente que os incentivos e as restrições dos governos resultam”, afirma o gestor de dados da Rho Motion, Charles Lester. “Na América do Norte, o crescimento de 9% pode ser largamente atribuído aos subsídios aos consumidores, enquanto no Reino Unido a introdução de zonas de emissões zero incentivaram as marcas a vender os seus carros de baixas emissões.

"Por outro lado, a retirada de subsídios na Alemanha teve um efeito devastador em todo o mercado europeu. Se os Estados Unidos seguirem o mesmo rumo, o mesmo irá acontecer”.