Mercedes G580 EQ Edition One: Estilo radical

O Classe G agora totalmente eletrificado é uma opção que tanto encaixa nos cenários mais radicais como no deserto, nas florestas mais difíceis ou na passarele dos lugares mais elitistas

O Classe G agora totalmente eletrificado é uma opção que tanto encaixa nos cenários mais radicais como no deserto, nas florestas mais difíceis ou na passarele dos lugares mais elitistas

Depois de vários ensaios, estudos e muitas discussões entre os responsáveis da Mercedes, o modelo mais popular e também o mais lucrativo da marca alemã vê a luz do dia.

Este é um sinal de afirmação de uma marca que decidiu eletrificar toda a sua gama e tornar um dos seus ícones numa proposta ambientalmente mais sustentável apesar do seu peso ultrapassar as três toneladas e desse ser um dos fatores que influencia negativamente o rendimento energético.

Com consumos reais que ultrapassam muitas vezes os 30 kWh/100 Km a capacidade da bateria (116 kWh) esgota-se ao fim de pouco mais de 380 Km, um valor abaixo dos 455 km anunciados para um modelo que vai a sitios onde outros não vão.

Tal não se deve apenas aos excelentes ângulos de todo-o-terreno, mas também a alguns sistemas inovadores. Enquanto a muitos 4x4 foram desaparecendo ao longo das últimas quatro décadas muito por culpa do fenómeno SUV o Classe G continua a ser a referência neste exclusivo segmento mais radical onde já vendeu mais de 450 mil unidades.

Rodar sobre si

Com quatro motores elétricos (um por cada roda), capazes de desenvolver uma potência combinada de 587 cv e 1164 Nm de binário, o Mercedes G 580 EQ é um autêntico touro.

Apesar de manter um estilo clássico, esta nova geração do Classe G não abdica da ajuda eletrónica para substituir as soluções mecânicas mais convencionais simulando, por exemplo, bloqueios de diferencial ou vetorizar o binário ou ainda simular o efeito de redutoras.

O recurso a um motor elétrico por roda permitiu criar funções especiais de condução como o G-Turn ou a G-Steering. A primeira serve para o Classe G  rodar sobre si mesmo até um máximo de duas voltas (as rodas do lado esquerdo movem-se em sentido contrário às do lado direito). Entretanto a função G-Steering permite reduzir o raio de viragem fazendo girar o carro sobre a roda traseira interior desde que a velocidade não ultrapasse os 25 km/h.

Além da redutora (que é indispensável ligar para ativar as duas funções descritas) existe um sistema automático de marcha lenta de três velocidades (duas fixas e uma variável). 

Todas estas ajudas tornam o Classe G num 4x4 único a que junta outras caraterísticas como a passagem a vau de 850 milímetros (150 mais que o Classe G com motor de combustão) e a altura ao solo de 250 milímetros (mais 10 milímetros) enquanto o ângulo de entrada (32º), o ângulo de saída (30,7º) são semelhantes ao Classe G de combustão, ao contrário do que acontece com o ângulo ventral que nesta versão elétrica é pior (20,3º frente a 26º).

Outra ajuda à condução fora de estrada é um cruise control especialmente concebido para transpor obstáculos o que dá a quem conduz uma grande confiança. Tudo com grande rigor e também com um enorme conforto apesar do chassis continuar a ter uma estrutura rudimentar, mas extraordinariamente resistente.

Uma bateria enorme

A eletrificação do Classe G obrigou a Mercedes a colocar a bateria de116 kWh numa zona protegida por uma estrutura em aço com 4 milímetros de espessura.

O consequente aumento do peso tem a vantagem de reforçar a rigidez estrutural e de baixar o centro de gravidade, ao ponto desta caraterística fazer com que a condução em estrada nos faça esquecer os quase dois metros de altura, tornando estranho, por exemplo, o acesso ao interior.

A estrutura em aço tem ainda a função de proteger a bateria da água, da lama ou de outros elementos que a possam danificar. A diversidade de materiais utilizados incluindo o alumínio e também o carbono em certos componentes mostram o esforço que a Mercedes teve na contenção do peso. O veredicto da balança mostra, mesmo assim, que esta versão elétrica pesa mais 600 kg que o G 500 a gasolina.

A eletrificação estende-se também às versões com motores a gasolina e diesel com a solução Mild Hybrid de 48 Volts. Uma proposta composta por um motor/gerador capaz de gerar um breve impulso de 20 cv e 200 Nm e por mitigar os consumos nas fases mais criticas como os arranques.

No G 500 o motor de seis cilindros em linha biturbo, substitui o anterior V8. Qualquer dessas versões delega na caixa automática de 9 velocidades a missão de distribuir o binário pelos dois eixos ao contrário desta versão elétrica onde a transmissão automática tem apenas uma velocidade.

Duas hastes atras do volante permitem controlar o nível de retenção e recuperação da energia elétrica em cinco níveis independentemente do modo de condução selecionado.

Em estrada os modos são três (Comfort, Sport e Individual) e fora de estrada dois (Trail e Rock). O modo “Rock” permite ligar manualmente a redutora. É contudo no modo Sport que a aceleração dos 0-100 km/h se faz em apenas  4,7 segundos e que a velocidade máxima chega aos 180 k/h.

Estilo conversador

Apesar das parecenças com as versões com motor de combustão existem tem elementos diferentes como o capot ligeiramente mais elevado.

Com o objetivo de melhorar a aerodinâmica a Mercedes usa um revestimento novo no pilar A ao mesmo tempo que introduziu cortinas de ar perto das rodas traseiras e um pequeno aileron na parte final do tejadilho.

Outros elementos que se destacam são os faróis adaptativos do tipo matricial ou as jantes de 20 polegadas ou o pack da AMG com retrovisores pretos. Opcionalmente o Classe G pode ter o pack Night II que inclui alguns detalhes em negro como as estrelas da Mercedes ou a sigla EQ.

No habitáculo a imagem é também tipicamente Mercedes com destaque para as saídas de ar inseridas numa moldura quadrada e para as pegas nos pilares que tanto jeito dão para entrar e sair.

No domínio da tecnologia são usados os ecrãs para a instrumentação e para o sistema multimédia de outros modelos, o mesmo acontece com o sistema operativo.

A possibilidade de acompanharmos em tempo real os movimentos da carroçaria é uma informação importante nos cenários mais radicais.

Apesar da sua reduzida autonomia, acreditamos que o Classe G Elétrico consiga seduzir um tipo de cliente novo e endinheirado.  

Veredito

A versão elétrica do mitico Mercedes Classe G tem contra si o preço de quase 200 mil euros e uma autonomia real que fica longe dos 455 km que a marca anuncia devido a consumos que em muitas circunstâncias ultrapassa os 30 kWh/100 km. Em compensação ele tem caraterísticas fora de estrada únicas, nomeadamente a capacidade de rodar sobre o seu  próprio eixo! Este e outros sistemas juntamente com uma qualidade de construção acima de qualquer suspeita fazem deste modelo um dos poucos exemplares de um segmento (4x4) em extinção. Destaque ainda para as prestações graças a um binário de mais de 1100 Nm e para o conforto. 

FICHA TÉCNICA

Mercedes G 580 EQ Edition One

Preço 148 400 € (199 000 € versão ensaiada)

MOTOR 4 elétricos

POTÊNCIA 587 cv (432 Kw)

BINÁRIO 1164 Nm

TRANSMISSÃO Auto 1 vel.

COMP./LARG./ALT. 4,62/1,93/1,98 M

DISTÂNCIA ENTRE EIXOS 2,89 M

BAGAGEIRA 454 L

ACEL. 0-100 KM/H 4,7S

VEL. MAX. 180 KM/H

CONSUMO WLTP 28,9 (31,4 *) KWH/100 KM

CAPACIDADE DA BATERIA 116 kWH

AUTONOMIA 455 (388*) KM

* Medições Turbo 

GOSTÁMOS

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Conforto
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Prestações

Preço
Autonomia real
Consumo